“….porque o perfume da vida é silencioso e o canto das cores imperceptível, parecido com a carícia da voz amada que se eleva muito alto em nosso interior. Como um sabor sonoro e sem nome; os possíveis amanhãs batem uns nos outros; é o instante preciso, é o agora. Assim, obrigado a meus predecessores, obrigado a meus sucessores que se utilizarão esse trabalho….” (Christian  Flèche – El Cuerpo como Herramienta de Curacion)

TODA EMOÇÃO É UMA REGRESSÃO

Já vimos que doenças ou sintomas são metáforas que dão sinais de necessidades não atendidas em algum momento, e que geram traumas. Para cada trauma há um momento exato onde a experiência é vivenciada de forma dramática, sem solução nem expressão e em isolamento.

Várias experiências nas quais não foi possível encontrar solução adequada, levam a reações de adaptação e ficam registradas no inconsciente, enclausuradas, compactadas; como se houvessem várias personalidades dentro de nós. Cada indivíduo tem pelo menos 10 traumas ativos.

Uma parte de nós tem a idade emocional do trauma ou seja, está presa à emoção despertada com a dor sofrida, e a outra continua vivendo as experiências no processo evolutivo.

 Por isso essa emoção ajuda encontrar o conflito do evento.

Toda emoção é uma regressão que nos leva à idade em que sofremos o trauma ou bioshock.

De uma maneira simplificada podemos dizer que o ser humano vive de acordo com 2 necessidades fundamentais: o mais e o menos.

Toda nova informação é “classificada” dentro dessas “duas categorias”.

“Quero pegar. Me apropriar do positivo” e “Quero evitar. Ficar longe do negativo”

Temos essas sensações a cada momento. As duas coexistem em cada um de nós.

No Caso de acontecer um imprevisto que desencadeia o bioshock a pessoa fica como que atordoada, desarmada, estressada e com duas emoções básicas: separado ou atacado (invadido)

Na primeira situação, está separado se o indivíduo está privado do positivo: sente-se sózinho, isolado, separado de um relacionamento importante, dependente de algo. Isso mostra, na realidade, que a pessoa está separada de si mesma e para isso precisa preencher o espaço vazio.

Se não consegue enfrentar a dificuldade vai preencher com coisas externas: trabalho, leituras, compras, viagens, curso, pessoas, massa. O indivíduo adiciona.

Alguns exemplos de reações de adaptação:

 “Fui separado de….e para parar de sofrer a única solução é recuperar o contato com….”

O separado preenche, acrescenta coisas no plano correspondente à realidade.

– foi privado (a) de relacionamentos, busca o contato através de associações, voluntariado, profissões de contato como a fisioterapia, massagens, dança, prostituição.

– Faltou comida. Agora passo o dia comendo, ou abrindo e fechando a geladeira)”. Mas o separado não vai perder peso porque para ele menos é o estresse, então para adaptar-se ganhando peso.

– foi privado de afetividade e para preencher busca relacionamentos fusionais, acumula, coleciona.

– em seu corpo, produz massa.

– no sintoma, acrescenta:  desenvolve pólipo, tumor

– se ninguém fala comigo, crio som, ruído dentro da cabeça que é o zumbido.

– nos comportamentos é hiperativo porque se sente mal quando está parado ou desocupado. Nesses casos podemos procurar por luto desfeito, separações.

– se está separado da sexualidade pode resultar em ninfomania ou coleção de parceiros sexuais.

A solução é entrar em contato consigo mesmo, e satisfazer suas próprias necessidades: “Eu  posso existir sem o outro”.

Se o indivíduo está invadido pelo negativo sente-se atacado, sujo, manchado, ameaçado. Pode haver uma situação ilusória ou real de ser atacado por si mesmo. A pessoa se acha mau, inútil, estúpido. Separa-se de si mesma, evita-se.

Ao sentir-se agredida pelos demais afasta-se, se isola. Ela apaga a si mesmo para sobreviver; a vítima se afasta para sair do estresse, foge.

 Vive profundamente como um agressor e agride a si mesmo.

“X me agride e para evitar o sofrimento a única solução é evitar qualquer contato com X.”

Nos relacionamentos: evita contatos com vizinhos, família, amigos. Podemos dizer que está no deserto em relação a afeto.

Profissionalmente realiza atividades que requerem paciência.

Em seu corpo ele cava: faz úlceras, descalcificações, insuficiências, é magro.

À nível intelectual tem proposta de idéias,  apaga as suas.

À nível sexual apresenta frigidez ou impotência.

Exemplo:

“Eles não fazem nada além de gritar comigo, eu fico surdo(a) e não escuto mais. Eu fujo”

‘Quando me expresso as coisas dão errado.” “Externalizar-se causa problemas.” “O outro deve adivinhar porque é perigoso falar, se expor.”

“Me sinto atacado pelos outros.” “Preciso de segurança.” “Tenho vergonha de expressar, medo de não ser aceito ou alguém tirar sarro.”

Nos exercícios ajudamos na Construção da Imagem de si mesmo para poder existir na frente do outro.

Se é encontrada solução satisfatória o conflito fica resolvido.

Hoje nosso estudo é sobre o Crânio. Parte tão importante porque assim como a coluna e as costelas, protege a vida.

A desvalorização está em: não servir de nada pensar e ser inteligente.

Inteligência não tem valor.

Na abóboda externa a desvalorização vem pelo demais e na interna, vem do interior.

O crânio tem vários ossos:

– temporal: desvalorização por tempo e audição de território; – occipital: perigo (algo que me ataca por trás)

– frontal: afrontar

– parietal: conflitos de dureza, rigidez.

– Ossos do rosto: desvalorização de imagem, de identidade. Devalorização de contato em termos estruturais profundos – abusos, violência. Descalcificação óssea.

– zigomático- comunicação face a face.

“Me cuspiu na cara” “Perdi o prestígio”. Como se fosse uma bofetada que a pessoa recebe de foram virtual, moral, simbólica ou real.

– orbicular dos olhos: “Deveria ter dado conta antes”

– supercílios: desvalorização por beleza ou proteção.

– O nariz é o mais arcaico e sutil dos nossos sentidos, detecta feromônios para atrair, sentir odores e avisar sobre perigo.

E o único lugar do corpo onde o osso é específico do conflito: “Isso não cheira bem.”

– A mandíbula é um osso móvel, então a desvalorização está vinculada à palavra, por não sentir-se ouvido.

“Estou proibido de expressar  agressividade.”  “Tenho que dizer algo insuportável.”  “Recrimino-me por não ter usado a expressão correta.” “Minha palavra não tem valor”

Esquerda: conflito de desvalorização por não poder expressar o pedaço (a palavra de violência, de alimento)

Direita: não capaz de pegar “no ar” ou não sou capaz de reter algo material ou imaterial ( como tempo, palavra ou dinheiro)

– No maxilar: o conflito está vinculado à alimentação; desvalorização por algo que tenha comido.

Exemplo: na mesa deveria ser o momento da família, de dar exemplo aos irmão mais novos, mas quando como sou repreendido, me mandam calar a boca e ir dormir.”

ATM (Articulação Temporo-Mandibular): “Tenho que ser eficaz na palavra, na capacidade morder. Não posso pegar meu pedaço.” “Me proíbo ser agressivo” “minhas palavras não são eficazes.”

Por fim daremos um pequeno olhar para os dentes.

Os dentes são a parte mais dura do corpo e, assim como a coluna, tem estudo específico da relação de cada dente com as emoções, a Biocibernética.

São as fronteiras materializadas e, em geral,  levam pensar, além de conflitos de desvalorização, em censura e/ou culpa por ter sido agressivo (seria melhor não ter dentes para não morder).

Perda óssea tem conflitos ancestrais; e perda de dentes: “Prefiro perder os dentes do que agredir novamente.”

 Renuncia a tua juventude , a sua agressividade, a seu poder. Cala-te

Incisivos: estão na boca para cortar. Tem a ver com sedução, porque através deles nos comunicamos.

Caninos: despedaçam, rasgam. Podem sugerir ódio

Molares: proteção, resistência, perseverança. Conflitos de estabilidade. Mentiras ditas.

E assim terminamos um pequeno vislumbre do que o corpo pode nos mostrar através de suas estruturas: ossos, músculos, tendões e cartilagens.

Cada uma delas nos dá pistas para que possamos encontrar o momento do trauma, mas devemos sempre estar atentos aos movimentos, às repetições e nunca nos prender à receitas prontas.

Cada Ser Humano é um universo em si, com suas experiências e reações próprias.

 Se acessamos o sentir podemos construir o Pensamento Psicossomático através de todo conhecimento disponível e do que diz nossa alma, que tem a maior experiência em nosso processo pessoal.

Somos seres a serviço da vida, de nossa ancestralidade e das espécies. E temos um corpo como instrumento que guarda todas as memórias de tudo que já passou desde os primórdios.

Honrar os que vieram antes, assumir as próprias responsabilidades e acreditar nessa memória e sensibilidade, com certeza nos conduz no caminho de cura.