“Em cada um de nossos filhos habita o desejo de ir mais longe do que nós, pais, de ser melhores que nós, e isso, graças a nós. É um impulso subversivo que aborrece, agride, irrita, faz sorrir, diverte; que nos preenche e enriquece de aquilo que esperávamos sem mencionar. A beleza e ordem do mundo se revelam um pouco mais com a nova geração: é o Apocalipse (no sentido de poder) que se esconde no silêncio dos neurônios…(El Cuerpo como Herramienta de Curacion – Christian Flèche)

Como já vimos:

– doenças ou sintomas são vestígios dissociados e simbólicos de uma adaptação: necessidades não atendidas, dão sinais de que algo está errado  através de sensações, sintomas, doenças e problemas.

– se não é possível resolver tal demanda é gerado um trauma ou conflito, e o corpo mais uma vez, para não entrar em colapso, leva à resolução para uma de suas estruturas: órgãos, vísceras e tecidos, de acordo com a função de cada uma delas.

– a resposta ao  trauma/conflito é sempre biológica já que o registro se faz pelos sentidos e é física, pela liberação de substâncias.

–  existe o mundo externo no qual não temos ação: “A vida é do jeito que é; e sempre tem razão”.

– o mundo interno com necessidades básicas a serem atendidas.

– o conflito/trauma aparece quando, expectativas e desejos não estão de acordo com o que a   vida dá. Cada um de nós tem sempre 10 conflitos ativos – “A  Vida é um grande processo de aprendizagem Aprendizagem!”

 “Você está pronta para a festa em seu lindo vestido branco, e ao finalizar a maquiagem, o batom escapa e suja o vestido..” Qual a sensação?

Se simplesmente troca de roupa e aproveita a festa, o conflito está resolvido. Mas se o sente associado a algumas ou muitas necessidades que não forma atendidas em algum momento como: achar que tudo dá errado; não ter direito ao prazer; não poder estar sensual para alguém; e assim tantas outras expectativas e desejos, o “trauma” fica registrado como um código e pode desencadear  reações que já foram codificadas um dia.”

– o conflito tem um instante exato de instalação que Christian Flèche chama de BIOSHOCK. O exato momento onde tudo estava bem, e no instante seguinte tudo mudou! Frente ao imprevisto nossas memórias de adaptação reagem!

Essa reação tem que ser dramático para a pessoa, intolerável, sem solução nem expressão . Por mais que se fale ou trabalhe com isso, tente controlar, a sensação física permanece. E assim o conflito se instala. A  solução vem com um mecanismo mental de defesa contra idéias incompatíveis com o EU: negação inconsciente para bloquear a dor ligada ao conflito; amnésia ou esquecimento como uma proteção psíquica para não sofrer.

No momento do Bioshock forma-se uma nuvem de fumaça entre o shock e a consciência. Temos duas reações possíveis: afastamento do positivo ou invasão pelo negativo.

“Exemplo disso foi  um homem, atendido por Flèche, com CA de Pulmão. Isso significa que teve que fabricar mais alvéolos para captar mais oxigênio. A metáfora é: “Tenho medo de morrer”.

Durante a sessão, Christian lhe propõe essa hipótese e este imediatamente lhe diz: “Não tenho medo de morrer, aliás não tenho medo nunca! Sou um homem forte”. E vai embora.

Volta 3 meses depois e diz ter lembrado de um fato: estava com a amante, há alguns meses atrás, dentro do carro, beijando-a. Para um carro ao lado e ela diz: “É meu marido, vamos sair rápido daqui porque ele é caçador e tem armas. Pode nos matar!! Ele sai rápido com o carro e neste momento tem medo de  morrer”! O momento do bioshock é quando ele escutou ela dizer: “É meu marido”

Para que o trauma se instale e desenvolva uma doença, temos que ter um terreno propício.

Cérebro e corpo estão conectados o tempo todo. A cada segundo o cérebro sabe o que ocorre no corpo e o que é necessário. Tudo é dosado e medido. Exemplos: se faz calor há transpiração; se carrego muito peso o corpo se curva ou fica ereto; se entra um corpo estranho inflama, espirra, infecciona. As resoluções são involuntárias e inconscientes. Não precisamos pensar para que o coração acelere no caso de precisar de mais sangue em algum lugar.

O que conta não é o evento, e sim a maneira como foi vivido, o sentimento subjetivo no instante exato da surpresa.

Exemplo: uma criança de 3 anos sofre uma queda e se vê numa poça de sangue. O medo é de perder todo sangue. O corpo envia plaquetas para a ferida. Com o tempo desenvolve uma necrose no baço por armazenar mais plaquetas.

Num divórcio uns terão conflitos de rancor, outros de desonra, outros de perda, separação.

E o que  é  terreno propício?

– pessoas com incapacidade adquirida para reagir:  nesses casos o bioshock acontece na fase pré-oral, antes da palavra, antes dos 2 anos de idade. Dentro de nós há medos, proibições, julgamentos que nos fazem incapazes de reagir de maneira adequada. Assim a criança reage  bloqueando sua dor para pertencer ou não desagradar. Essa reação a acompanhará por toda vida, com base em situações passadas, reprimidas ou inibidas.

– duplo vínculo: a criança é repreendida se fala e se não fala.  Um exemplo disso são crianças de pais divorciados em situação de alienação parental que não estão autorizados a amar os pais igualmente: tem que escolher com quem morar.

– antes da idade de falar a criança está imersa em situações de interpretações confusas. Se faz é porque faz e, se não faz é porque não faz. Isso cria o duplo vínculo.

– segredos: coisas não ditas e problemas não solucionados. Até coisas pequenas e sem graça criam terreno propício. O exemplo de uma pessoa que atendi e que quando criança brincava feliz com seus primos na casa da avó. As crianças corriam em volta de uma mesa que se quebrou. A mãe, era a mais rígida e a puniu colocando-a de castigo num quarto. Tinha que ficar deitada na cama olhando para o teto, e escutava seus primos rindo e brincando fora da casa. A sessão foi para trabalhar seu medo de adoecer.

– outro terreno propício para o Bioshock é a  Adaptação complexa impossível:  essas situações remetem a abuso moral ou sexual por pessoa próxima; e pessoas  em situações de violência.

Tudo isso nos leva a problemas de toda ordem. Lembrem-se que para o Cérebro e Corpo, presente, passado e futuro coexistem.

 Dentro do estudo do Sentido Biológico dos Sintomas ou Doenças que acometem nosso Sistema Musculo- Esquelético, agora olharemos para a parte superior do Corpo que envolve Tronco e Braços.

Assim como as pernas e os quadris nos fazem pensar em movimento de andar na vida, transitar entre as polaridades, alcançar objetivos, desenvolver projetos, sexualidade, geração, entre outras coisas já vistas; a parte de cima do corpo nos leva pensar em eixo, centro, equilíbrio, abraço, aconchego, alimentação, acolhimento, distância, trabalho, alcançar….

O Tronco nos dá equilíbrio e centro.

Esterno, esse osso entre as costelas faz pensar em desvalorização  estética em relação àquilo que  toca externamente.

 Ex: quando a pessoa  precisa me sentir-se orgulhoso de si ou  valorizar-se, estufa o peito.

Conflito: “Não posso aconchegar a mim mesmo”.

 Nas Costelas encontramos  Desvalorização por não ser suficientemente querido ou amado pelo outro.

Terreno afetivo.

 As costelas são as persianas do coração.

Aqui encontramos os jogos de proteção. Tem a ver com membros da família:  costelas superiores tema a ver com os ascendentes; as médias , com o irmãos; as inferiores com descendentes; e as flutuantes  com filhos não reconhecidos.

Os braços representam nossa capacidade de acolher as experiências da vida; permitem a expansão do amor.

 Problemas na Clavícula: “Me desvalorizo à respeito do que acredito ser superior a mim, com conotação de autoridade.”

Escápulas: “Eu aceito deixar-me pisar.” Desvalorização por haver sido desqualificado, inferiorizado. Pessoas que aceitam ser pisoteadas.

 Agora falando em Ombros:

– esquerdo encontra-se a desvalorização de si mesmo em relação a função de pais. Problemas da relação Pais e filhos. “Me desvalorizo como pai ou mãe.”

–  no Direito o conflito de identidade como marido ou  esposa (sem conotação sexual), ou com trabalho. “Me desvalorizo em relação a outros”!

Ombro congelado: “Não me permito levantar voo, porque quero continuar me ocupando de minha esposa/marido/trabalho”.

Úmeros (osso do antebraço) são nossas asas. Então se o problema é muscular, ósseo, ligamentar o conflito é: “Me desvalorizo por não ser capaz de desenvolver um trabalho ou proteger minhas crias”. “Quero manter embaixo das asas”: pessoas que impedem os filhos de viajar sozinhos por exemplo

Do lado esquerdo tenho o impedimento: de ser feliz. E no direito impedimento de ação.

Cotovelo ajuda coordenar forças para desenvolver tarefas. Dedicar-se a uma tarefa. O cotovelo é uma medida antiga. Os conflitos são vinculados à utilizar os braços, gesticular. A desvalorização é em relação a trabalho: introduzir, cravar, postergar. O trabalhador arregaça as mangas da camisa e o preguiçoso tem calo nos cotovelos.

Punho: Conflitos são relacionados à astúcia e falta de cuidado. “Desvalorização por não poder assumir uma função”, “Nego o peso da demanda (palavras, trabalho)”.

Mãos e dedos:

Mãos e dedos têm uma inervação muito rica e especial por conta das funções finas. Ao mesmo tempo que carregam muitos quilos, também tocam e conduzem suavemente  pétalas de rosas.

As mãos tem a ver com nossa capacidade de pegar, receber, dar, tocar;  realizar, trabalhar; nos dá precisão, toques finos, ação.  Os conflitos estão para: “Não posso mais pegar” “Não aguento mais doar”

Os dedos são o prolongamento das mãos, ferramentas a serviço de nossas manifestações.

Os conflitos estão relacionados à atividades  manuais:

“Não ter gestos tão precisos quanto necessário”.

 “Me desvalorizo pela falta de destreza; não ser capaz de aprender computador ou escrever.” Edemas: “Tenho esperança que amanhã conseguirei”.

Cada dedo tem um conflito específico:

No Polegar está  “Não fazer o que deve” (jogos infantis, crenças: “Virar o polegar para cima significa positivo; e para baixo, negativo. Uma época era condenação à morte)

Indicador:  Mostra direção, desejo, juízo, autoridade, orgulho.

Coração:  Criatividade, sexualidade e sensualidade, raiva, prazer.

Anular:  Da Esquerda fala sobre matrimônio e da direita sobre associações mais gerais. Esse dedo representa união, vínculos afetivos.

Dedinho: associado à  segredos, mentiras. Representa o não dito.

Coluna

Nosso mastro! Sustentação e apoio de todo corpo, de valores e da vida.

Desvalorização: é central de personalidade e a relação é com o órgão inervado.

“Sustento a quem ou o quê?” “Não estou à altura”  “Conflitos de perda do eixo da vida”.

Discos nos falam de “Ter que fazer limite entre dois seres queridos que discutem dois valores”.

Cada região da coluna leva a conflitos diferentes, assim como suas 33 vértebras.

Coluna Cervicais: são 7 vértebras e a grande função é flexionar, baixar a cabeça, se render, estar submisso.

Conflitos de injustiça, humilhação, abuso de poder, subjugação, desvalorização moral.

 Bloco Superior (C1,C2,C3 ) – alguns autores dizem que estão vinculadas à espiritualidade, abertura para a vida. Conflito: “Dar voltas nas coisas, queria ser outro, ter outra situação”.

Bloco Médio (C4,C5): tem a ver com comunicação.  Dificuldades em expressar-se ou medo de.

Bloco Inferior (C6,C7): sonhos de uma infância inacessível, grande conflito de injustiça. Aqui os conflitos são de  Angústia por estar muito preso a valores e crenças; ter que ter certeza. “Querer desaparecer pra não ser mais o eixo central da vida de alguém.”

Coluna Torácica: temos 12 vétebras.   É a armadura do corpo. “ Os Conflitos que aprecema  são de Ter que resistir”, “Estou só diante de tudo; sou o pilar da estrutura”

Cada vértebra está relacionada a uma função de acordo com a inervação que passa na região.

Exemplos:

T1 e T2 estão relacionadas aos rins, esôfago e coração, então seus conflitos são em relação a território. “Sou pilar de sobrevivência , a proteção do território.”

T5 os conflitos estão relacionados a falta de afeto.

T8: sentir-se excluídos por sua família

T12 desvalorização é sexual: “Só conto comigo em minha sexualidade”, “Em minha família há algo anormal, desvalorizante.”

Lombar:   temos 5 vértebras. Do latim lombar quer dizer rins, lombo, cinturão que serve para ocultar órgãos genitais. E ainda dão apoio ao Diafragma, principal músculo respiratório.

É a base que nos mantém retos, pilar da nossa personalidade.

A desvalorização é central, global da personalidade em relação a família e trabalho.

“Grande conflito de não se sustentar mais”; “Não poder mais assumir”; “Não querer carregar os demais”; “Sentir-se controlado por alguém”.

Exemplo: L3 – desvalorização por perda como um aborto; situações familiares tensas; obrigado a submeter-se.

No final da Coluna encontramos o

Sacro:  5 vétebras fundidas dando aparência  de Triângulo. Carregam o peso e junto com o quadril o distribuem de forma equilibrada para os dois lados do corpo. O sacro consegue carregar 500kg se ficamos em 4 pés.

A desvalorização está em relação à sexualidade

Ai temos uma articulação muito importante:

L5/S1 – nela aparecem muitos problemas porque é onde inside a maior parte do peso: o conflito está por relações sexuais impostas. “Não me apetece mas sou obrigado (a) fazer. Já não dou ordem, a aceito.

E as famosas dores ciáticas.

Ciática direita: “Me obrigam fazer uma coisa que não quero.”

Ciática esquerda: “Quero ir mas me obrigo a ficar (ou fazer)”

O Coccis é o vestígio da cauda que um dia era comum,   dava acesso ao reto. “A Desvalorização está em relação  à base de personalidade com tonalidade sexual de mácula.”

– aqui encontramos conflitos de homossexualidade com conotação de sujeira e sodomização; agressões sexuais

Podemos observar que o corpo, em sua estrutura nos dá sinais de desvalorização para que possamos nos olhar, observar, sentir e transformar. Todo ser que nasce tem direito a pertencer a seu Sistema Familiar e ocupar seu lugar no mundo. Isto é instransferível.

A vida, em sua generosidade nos coloca em situações de desafios porque o ser humano tem a força de mudar qualquer situação, basta querer e saber que tudo que precisa ser mudado tem que ter paciência e perseverança.

Aprender sentir, encontrar o lugar de pulsação que mobiliza corpo e cérebro para trilhar o caminho da harmonia e da paz. Levar a espécie para um lugar melhor, mais afetivo e amoroso.

Eis o grande legado da Raça Humana!