“O corpo é a ferramenta que a consciência escolheu para estar em contato com o exterior”. A Consciência necessita dessa ferramenta, desse corpo. Então tome um tempo de conhecer-se com amor! (Christian Flèche)

 

A falta de consciência de quem somos, dos nossos potenciais e possibilidades nos levam desenvolver problemas de todo tipo. Como Seres Humanos nosso grande papel é evoluir enquanto ser e espécie. Isso acontece à bilhões de anos.

Desde a vida na água o corpo vai se adaptando para que sofra as transformações necessárias de acordo com as mudanças que ocorrem no entorno. Se não há mais possibilidade de alimento em um meio, existe a necessidade de adaptação; se falta algum elemento o corpo tem que se transformar para atender às novas necessidades.

Na evolução da espécie aparece o cérebro pensante que interpreta eventos. Isso faz com que cada indivíduo responda de maneira própria, segundo sua história e experiência.

Todo Ser tem necessidades básicas: comer, caminhar, respirar, evacuar, reproduzir, filtrar; tem necessidade de carinho, aconchego, proteção e segurança.

Em algum momento esse Ser pode não se sentir atendido nessas necessidades entrando em processo de estresse. Caso assim se mantenha por um período, o corpo entra em colapso e para que isso não aconteça os órgãos respondem com mecanismos de adaptação.

Exemplo: indo a lugares altos e o corpo não estando acostumado, há um aumento na produção de O2 e consequentemente o aumento do número alvéolos para facilitar a respiração. Aumenta também a produção de glóbulos vermelhos para a condução desse oxigênio. Tudo isso para evitar falta de ar e asfixia; e para suprir músculos no caso da necessidade de andar. Havendo adaptação ao externo o corpo volta para seu estado natural, onde todos os órgãos e estruturas tem equilíbrio na produção de substâncias para a manutenção da vida.

Essa é a lógica biológica natural.

Meu convite é para olhar essa Lógica Corporal que mantém a vida através de adaptações. Para isso é necessário aprender a Linguagem Simbólica do cérebro e o Sentido Biológico das doenças.

                                                                                                                  Em situações em que as necessidades não estão atendidas, o estresse se mantém por tempo maior do que o possível de suportar, gerando desequilíbrios. Isso nos leva às doenças.

Assim podemos concluir que as doenças:

– são reações de adaptação;

– dão sinais de que algo está errado ou de que há necessidades não atendidas em algum momento da existência;

–   tem um Sentido Biológico e ao conhecermos, obtemos repostas que nos levam ao conhecimento de nosso organismo e de nós mesmos. O corpo é o Reflexo do nosso interior, como um espelho. E a doença é o Painel do Inconsciente que habita em nós;

 –  aparecem em situação de estresse:  necessidades não satisfeitas geram sentimentos e emoções que liberam substâncias em nosso organismo: noradrenalina põe alerta e adrenalina faz reagir, aguçando os sentidos. O fígado libera açúcar para aumentar as reações orgânicas. O Hipotálamo transforma informação neurológica em química liberando hormônios que conversam com a hipófise. O sangue circula no interior do corpo com maior velocidade para alimentar e criar uma unidade corporal para encontrar a solução. Se não a encontra em alguns minutos, há liberação de Cortisol, hormônio da vigília e da ação para aumentar a performance física e intelectual. Pulmão, Coração e Cérebro estão favorecidos no intuito de reagir com luta, fuga ou camuflagem. Porém se o estado de atenção se mantém por tempo acima de 24 horas, outras funções ficam desfavorecidas como: imunidade, crescimento, digestão, sexualidade, sensibilidade.

O corpo pode manter o estado de estresse sem danos por um período.

Esse estresse é necessário para aumentar, concentrar energia e encontrar soluções para problemas.

Como esses estudos começaram?

 Na década de 80, Dr Hamer, médico alemão, descobre um CA de testículos após a morte de seu filho em seus braços. Ao relacionar os 2 fatos inicia a pesquisa com seus pacientes.

E qual foi a relação? O testículo é o órgão que produz espermatozóides para geração de filhos. Com a dor extrema da perda, a culpa relacionada e a não expressão da dor, seu cérebro e corpo ficam impedidos de gerar e para isso desenvolve uma doença onde tem que retirar o órgão. Porém ao entender a relação e reconhecer a dor da perda, o problema passa a ser solução.

Para Hamer existe um momento exato da instalação do trauma que programa o conflito. Ele chama de Síndrome de Dirk Hamer.

 Christian Flèche da Biodecodàge Práctica chama de Bioshock. É o instante preciso onde em um momento tudo estava bem e no instante seguinte tudo muda. O corpo entra em estresse.  A resposta é especifica de cada órgão que têm uma metáfora segundo seu funcionamento e função. Tudo para nos avisar de que precisamos resolver esse conflito, trazer para si mesmo a responsabilidade de olhar e resolver as dificuldades e problemas.

Mas nem todo registro é negativo. Também existe o Bioshock que desencadeia reações positivas: se tem fome, comer traz sensação de saciedade e plenitude; se tem sono, dormir recarrega as energias para o novo dia.

Para entender e poder sentir toda essa proposta, há uma necessidade de mudança de paradigmas e crenças.  Essas mudanças é que criam novas realidades. Um exemplo é a criação do motor a gasolina: não foi aperfeiçoando as condições dos cavalos e carroças que chegamos ao motor,  e sim porque alguém, como Henry Ford, acreditou que poderia mudar e experimentar novas realidades.

Nossos Sistemas, órgãos, vísceras e estruturas podem nos dar pistas de pesquisa da origem desses conflitos.

A função de cada um deles nos leva a um mundo de metáforas corporais, onde podemos aprender “ler” e “ouvir” esse corpo que está à disposição, o tempo todo, para nos manter no objetivo de evolução e perpetuação da espécie.

Para essa linda viagem através de nós mesmos e conhecimento do corpo vamos usar o Grande Sábio que habita em nós: nosso Inconsciente. Nele encontramos todas as respostas e caminhos; tudo que vivemos e a vida de nossos ancestrais está aí registrado.

A doença é o Painel desse Inconsciente, mas não é o primeiro sinal que nos é enviado.

Ao entendermos que o corpo tem necessidades específicas, fixas, estáveis como: alimento, oxigênio, sono, trabalho, relacionamento, descanso, eliminação, filtro, barreira; e que no exterior há mudanças constantes e  ainda que em nenhuma delas é possível interferir;  podemos pensar  que tem que haver adaptação para que esse corpo não sofra ou entre em colapso.  Por exemplo: não dá para diminuir a luz do sol para que as pessoas saiam sem se queimar, então, ao expor-se ao sol há o processo de bronzeamento, que nada mais é do que uma reação de adaptação para aumentar a quantidade de melanina na pele, e impedir que raios solares penetrem e destruam o DNA.

 Imagine que está caminhando e aparece uma onça”. Não dá para fazer o animal desaparecer, então o corpo entra em estresse e produz substâncias para  correr, fugir ou paralisar para camuflar, preservando a necessidade de segurança e manutenção da vida.

Essas são situações extremas, mas existem outras, que fazem parte da vida de cada um que vão determinando comportamentos e atitudes, e que ao longo da vida nos trazem problemas e doenças.

É o inconsciente que informa  de que algo precisa ser visto ou revisto através de suas linguagens metafóricas:

1º Linguagem são Sensações Físicas Neurovegetativas: uma pequena luz de advertência. São sensações como má digestão, azia, dores de cabeça esporádicas, peso nas pernas, desconforto nas costas, dificuldade em pegar no sono, transpiração momentânea. Pequenos sinais que normalmente não damos a devida importância porque passa com alguma mudança de alimentação ou tomando algum medicamento.

2º linguagem é a  Emoção. As sensações são um pouco mais intensas e frequentes. Aparece raiva, tristeza, frustração, descontentamento. Muitas vezes nota-se na feição do indivíduo. Os outros estão informados dos sentimentos. As emoções são a linguagem entre eu e o outro. É através delas que mostramos nossas necessidades de: comida, evacuar, dormir, acolhimento, distância e tantas outras.

3º Linguagem é a Doença: se a necessidade não está atendida com nenhum dos sinais, não há solução externa, o corpo assume a solução com a adaptação biológica. Se não há solução consciente e voluntária, o Inconsciente busca a solução através de seu Sistema Neurovegetativo que está em contato com todas as células e sistemas corporais. Exemplo: se moro num núcleo familiar onde gritam muito e não posso sair dali por qualquer motivo, pode aparecer surdez já que não posso mais ouvir gritos ou eczemas para que eu coloque limites; se a situação traz  sensação de morte pode aparecer asma, e Câncer no Pulmão, se a necessidade for criar mais espaço para respirar. A resposta é dada segundo a experiência de cada um.

Por isso é muito importante entender a Lógica Biológica tanto para tratar o outro como para mudar a si mesmo. A escuta e a reflexão nos levam à origem das doenças e as funções dos órgãos nos dão as primeiras pistas.

E assim iniciamos nossos estudos dos Sistemas Corporais pelo Sistema Musculo Esquelético. Devido à extensão do assunto dividirei em três partes:

  1. Falarei da parte inferior do corpo: quadril e pernas
  2. Falarei da parte superior: tronco e braços.
  3. Crânio

Para contatar o sentido biológico da enfermidade é necessário reviver o momento do Bioshock seja no Conflito Programador, Acumulado ou Desencadeante. Ao reviver a dor que gerou o trauma, traz-se para a consciência a necessidade não atendida, o momento exato de inconsciência que gerou o conflito e se personificou no sintoma ou doença.

O Sistema Músculo-Esquelético nos leva pensar sobre Conflitos de Desvalorização.

Cada estrutura do corpo traz um sentido biológico de conflitos e segue três critérios: intensidade dramática, localização corporal e tecido orgânico. Quanto mais intensamente é vivenciado o conflito, mais grave é a resposta do corpo. Com certeza para vermos todas as relações demoraríamos muito tempo e essa não é minha intenção.

Meu objetivo mostrar a base dos conflitos e sentir no corpo com as dinâmicas sistêmicas. Assim aprendemos conhecer nossa história e a de quem nos propomos tratar.

Também não é possível separar tão categoricamente as partes e a leitura. Nunca podemos esquecer de estar conectados com nossa sensibilidade. Diagnósticos nos direcionam, mas quem caminha somos nós e nossos pacientes.

Vamos lá!

Ossos: nos dão estrutura, forma, sustentação, proteção e segurança. São os tecidos que tratam dos valores mais densos e existenciais para os quais vivemos. Quando vivemos em situação de fragilidade é o exterior que nos sustenta e protege: a solução biológica é uma proteção exterior como a carapaça da tartaruga que a protege dos predadores, a fêmea que protege os ovos, o código civil, as leis, a proibição familiar ou social, nossa pele, a gordura, a ternura dos pais, a serenidade maior ou menor no entorno.  O exterior me dá segurança. Se imagine por alguns minutos sem seu esqueleto e sentirá a importância dessa proteção e sustentação. Cada vez que nos sentimos seguros de nós mesmos, capazes de ajudar e apoiar os outros estamos psicobiológicamente em estratégia de Endoesqueleto (interno).

Em caso de patologia a pessoa se sente desvalorizada em seu fundamento, em sua estrutura; está em instabilidade, sente-se incapaz, depressivo, fraco ou super-poderoso, auto-suficiente, . Por isso tem a ver com Mãe! Ela nos dá essas noções nos primeiros contatos com a vida.

A medula óssea se localiza no interior dos ossos, principalmente dos ossos longos e grandes como os do quadril. Se a pessoa tem problema de medula óssea tem a ver com valores familiares, de laços de sangue. “Não sou nada” “Estou estruturado no vazio”.

Cada parte do corpo nos mostra a reação de adaptação referente à função:

 A grande função das pernas é caminhar, ir para frente, atrás dos objetivos e projetos. Se o indivíduo se sente desvalorizado em relação a ser capaz de viver a própria vida pode desenvolver uma desmineralização (descalcificação óssea); ou desenvolve  maior produção de ossos para poder realizar (artroses, osteófitos e esporões).

Direita: “Tenho que ir mas não quero”.

 Esquerda:” Estou impedido de deslocar-me, de ir”.

 Olhando para o quadril  podemos pensar em sexualidade, maleabilidade de uma situação a outra, sedução, alegria de vida, sustentação, receber um feto. O Conflito é de não poder acolher um filho de maneira satisfatória; ou a carga de ter um bebê.

 Nos Joelhos encontramos desvalorização por ter que me abaixar demais, ou por não querer me abaixar.

Tornozelos: que direção eu tomo? Tenho capacidade? Que direção é essa que não quero mais seguir e não sou suficiente para mudar?

 E o Pé leva a pensar em  contato com a realidade, com a terra. Tem a ver  com a mãe. “Não sou suficiente para ter contato?”

Não posso ser estável” “Estou plantado, sem poder sair”.

Uma articulação é o encontro de dois ou mais ossos: promovem os movimentos e os gestos; seguram impacto, ajudam no deslizamento e diminuem a força dos choques. Nestes casos pensamos em  gesto que  desvaloriza ou articular coisas: gesto torpe, palavras rudes, imponho minha vontade; sou capaz de sustentar toda minha família e quem sabe meu sistema. “Carrego a dor do sistema”.

Músculos: nos fazem movimentar, andar, desenvolver nossas atividades. E  a desvalorização é  em relação a esforço, capacidade, desenvolvimento.  São conflitos de Impotência. É relacionado ao Pai. “Me sinto impotente para atuar, manter ou dar impulso. “Estou travado para ou obrigado a fazer algo.”

Os músculos de cada região nos levam a diferentes conflitos:

Quadril: travado para o sexo; para ser alegre; para transitar entre 2.

Joelhos: me sinto impotente para sustentar; tenho que me submeter; tenho que ter potência para sustentar.

Tornozelos: Sou impotente para escolher; estou travado nesta direção sem poder mudar.

Cartilagens são tecidos mais maleáveis que os ossos: diminuem o impacto nas articulações e facilitam  gestos.. (discos e meniscos). A desvalorização seria em relação à qualidade dos gestos e até de enfrentamento, pois as cartilagens permitem o contato entre ossos. “Estou obrigado a me sustentar mas quero amortecer o estresse do conflito”.

Tendões são tecidos rígidos com certa flexibilidade para fixar os músculos nos ossos dando sustentação e suporte para o movimento. Representam o projeto ou intenção de movimentos preciso. Os conflitos estão associados ao futuro: “Posso fazer o que for que não conseguirei alcançar”. “No futuro tenho que ser mais forte”. Conflitos de indecisões.

Sindrome do Túnel do carpo o conflito é de desvalorização por não saber o que fazer.

Joanete: “Busco me distanciar de minha mãe.” (como se o feto quisesse escapar e não consegue por medo de cair, e o hálux é o ponto de apoio quando queremos começar andar).

Ligamentos e Cápsulas unem os ossos de duas partes do corpo. Podemos falar em dois valores ou dois membros da família: 2 ascendentes, 2 irmãos, ou mesmo 2 vizinhos,  problemas no trabalho. “Me desvalorizo por não poder unir..” “Quero proteger ou unir 2 valores”. Também podemos pensar em indecisão, más escolhas, direção.

Se o indivíduo tem entorse frequentes: pensamos em necessidade de perfeição: “Me sinto torcido, ou fora das regras.” Se for no tornozelo: “Quero dar a volta, ir para outra direção”. Se for no joelho: “Estou equivocado, mas recuso a idéia”. No quadril: “Quero liberar-me da sexualidade” ou “Não abrir para a entrada de um homem, ou de sexo.”

Nervos: transmitem ordens. Então os conflitos estão em relação a isso: projetos ou bloquear ordens recebidas ou não ter iniciativa. Ex: ciática tem conflito de não suportar mais a monotonia.

Isso foi um resumo para termos a idéia de como o corpo nos avisa quando é necessário olhar para o interior e transformar coisas para viver melhor.

Temos reações de adaptação normais e que tem características próprias a cada espécie. A Raça humana tem um cérebro pensante que interpreta essa realidade externa segundo suas experiências, crenças e vivências.

Nós sabemos o que o outro sente e quer. E sabemos que o outro não atende nossas necessidades por isso ou aquilo.

Se existe uma pandemia e a pessoa não aceita, sofre e vive o estresse. Ao invés de aceitar que a vida é do jeito que é que não é possível alterar a realidade  externa  e nem o mundo interno com suas necessidades básicas e biológicas.

A parte que podemos mudar é o que fica entre o mundo externo e o interno: nosso corpo e a forma como olhamos para tudo isso.

Acolher a dor, reviver sem julgamentos e aceitar a tudo como é, nos leva a uma vida mais harmônica e feliz. A saúde é consequência dessas primícias.

Então propomos vivenciar esse conhecimento através de Dinâmicas Sistêmicas onde poderemos conhecer o corpo, seu funcionamento e possibilidades, a inteligência que aí reside e refazer o caminho de solução.

Esse trabalho é baseado em:

– Curso de Constelação Familiar realizado na Essencial Terapias de São Carlos – 2016 e 2017 – apostila do Curso.

– Workshop de Biodecodàge Práctica – setembro de 2019 e fevereiro de 2020.

– Curso de Formação em Biodecdàge Práctica inicado em julho de 2020 – 1º Módulo

– Curso de Formação no Sistema Rio Abierto de Terapia Corporal – anos de 1995 e 1996 – Campinas SP – Brasil.

– Livro: Descosdificación Biológica de Las Enfermedades – Christian Flèche – Ediciones Obelisco – Barcelona – Espanha

– Metáforas para Sanar – Christian Flèche –  Editora Cíntia Chiarelli – Rolândia – PR – Brasil

– O amor do Espírito – Bert Hellinger – Editora ATMAN