Falar em Sistêmica Familiar dentro do Direito parece paradoxal, no sentido de que no direito temos conceitos e leis bem estabelecidas e racionalizadas, e a visão sistêmica nos leva a ampliação do olhar sobre um determinado assunto, buscando a causa de problemas atuais em nosso Sistema Familiar. Porém ampliando o olhar podemos achar estreita relação entre os dois. Partindo da premissa que nossos conflitos e dificuldades têm origem nesse Sistema Familiar, afirmamos que as demandas nos processos jurídicos podem ser olhadas, explicadas e solucionadas com mais facilidade e harmonia, proporcionando a conciliação entre as partes, se trabalhadas sobre esse olhar.

Para explicar melhor: num caso que atendi de demanda trabalhista. A empregadora não achava justo o tipo de acordo proposto pela funcionária em questão. Estavam discutindo e não conseguiam chegar a um acordo que deixasse as duas partes satisfeitas. Na constelação podemos constatar que a empregadora estava reparando um sofrimento de funcionários de seu pai que trabalhavam nas terras da família. Então esta fez o movimento de olhar para seus antepassados e fazer uma honra a estes; assim como a todos os funcionários que trabalharam nas terras de sua família. Assim ela colocou uma ordem neste sistema, dando a cada um, um lugar. Depois disso a ação se desenrolou e conseguiram entrar num acordo que ficou com para ambas as partes.

Mas como é possível isso?

Se olharmos um pouco para trás, até a geração de nossos bisavós podemos ver algumas centenas de pessoas que fazem parte disto. E será que podemos imaginar quantas histórias e experiências estão ai contidas¿ E, se pensarmos, que somos reflexo deste sistema e vimos em uma nova geração para melhorar o que o que nossos ancestrais fizeram, podemos começar sentir o que seja a Sistêmica Familiar e seu Campo Morfogenético. As experiências vividas por nossos antepassados ficam gravadas neste campo e a Constelação é capaz de acessar e localizar onde aquele problema está. Tudo isso através do Sentir e Entregar. Colocar-se a serviço de melhorar o mundo como um todo; colocando-se a serviço das demandas desse Sistema naquele momento nos permite sentir e dar um lugar melhor a essas coisas que nos trazem aos problemas atuais.

A Visão Sistêmica dentro do direito traz à Luz a verdade de que o Direito é para todos da mesma maneira. Então se tiramos de um para dar para outro já colocamos esse Sistema em Desequilibrio.

Bert Hellinger nos mostra que na vida temos que estar em equilíbrio de acordo com três leis:- Hierarquia: quem vem antes é sempre maior e vem primeiro;

– Pertencimento: todos que interferem no Sistema fazem parte, mesmo que sejam relações não aceitas como: doenças graves, filhos fora do casamento, relacionamentos extraconjugais, etc. Tudo faz parte e tem que ser honrado porque tem um razão para ali estar; e muitos sofreram para dar-nos a vida;

– Compensação: tem que existir um equilíbrio entre as relações, cada um da e receber na mesma medida, porque se assim não for ocorre um desequilíbrio: um fica sempre devendo e outro sempre no papel de perpetrador. Se todos, que pertencem a esse sistema derem na mesma medida do que recebem e um pouco mais, gera-se um campo mais equilibrado.

Isso tudo representa apenas um aspecto de tudo que o Olhar Sistêmico e as Constelações Familiares podem auxiliar o Sistema Judiciàrio na resolução definitiva de muitas demandas através de acordos mais adequados a todos, exercendo a advocacia como direito para todos.

Gratidão!

Fonte: Rafaela Caudeu – Advogada Sistêmica, inscrita na OAB/SP 225.058.

Fonte: Ciomara Novo – Fisioterapeuta e Consteladora.